domingo, 24 de abril de 2011

LIVROS E A GESTÃO PÚBLICA

Durante a passagem que tivemos nos cargos de secretario de Cultura de Porto Velho, SEMCE; de Meio Ambiente de Porto Velho, SEMA; e de Cultura do Estado, SECEL, procuramos, na medida do possível, apoiar a área literária, principalmente aos temas voltados para a divulgação da história regional.

Todas as edições publicadas foram distribuídos gratuitamente, assim como, distribuídos nas bibliotecas, escolas e instituições do Estado. Nos últimos anos não tenho visto as secretarias de culturas darem apoio a publicação de livros.

Por outro lado, a Secel, em 2008, fez a aquisição de livros de autores de Rondônia para distribuir as bibliotecas públicas existentes no Estado. Foram alguns exemplares por autor, mas já representa um avanço. Essa medida, de alguma forma, ajuda historiadores e escritores para novos lançamentos de livros.

Falta uma política de incentivo aos historiadores, para pesquisa e lançamentos de livros. Um estado novo como Rondônia, precisa de pesquisa para levantar dados para novas publicações e, assim, assegurar as futuras gerações o conhecimento da historia de Rondônia.

Os livros que foram publicados durante o período de 1998 a 2002 e em 2006:


01 – Publicação em que se registram datas e fatos da historia de Rondônia, bem como, os eventos culturais e esportivos daquele ano, 1998. É uma publicação de consulta diária pelo teor das datas importantes da historia rondoniense - 1998.
02 – Publicação para comemorar o centenário de nascimento de Aluízio Pinheiro Ferreira, personagem polêmica da historia de Rondônia. Foi o primeiro diretor brasileiro da EFMM e primeiro governador do Território Federal de Rondônia. O livro é formado por uma coletânea de textos sobre Aluízio Ferreira - 1998.
03 – A publicação “Chuvas de Inverno” é poeticamente dedicada a Porto Velho. O poeta Bolivar Marcelino exalta a cidade e fala do seu cotidiano 1998.
04 – A publicação é composta de textos de vários autores, como escritores, jornalistas e historiadores, que falam de diversos temas sobre Porto Velho. Em parceria com o Ministério da Cultura e a Prefeitura de Porto Velho – 1998.
05 – Porto Velho em Prosa e Verso foi a publicação que mais autores participaram, inclusive eu, que falo do surgimento do refrigerante no saquinho. Em parceria com Ministério da Cultura - 1998.
06 – Uma publicação de autoria da professora e historiadores Yédda Pinheiro Borzacov, que contou com a tradução para as línguas inglesa e espanhola pelos tradutores Antônio Gonçalves Dias e Eduardo Constantino Borzacov, respectivamente. Parceria do Ministério da Cultura com a Prefeitura de Porto Velho – 1998.
07 – Candelária – Luz e Sombra na Trajetória da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, de autoria do médico e escritor Aparício Carvalho, foi lançado, em 1999, no Cemitério da Candelária.
08 – É uma publicação especifica sobre o Código de Meio Ambiente de Porto Velho. Foi o primeiro município de Rondônia a ter sua política de meio ambiente em Lei. Foi publicado em parceria com o Governo de Rondônia, Termonorte e Prefeitura de Porto Velho – 2002.
09 – O livro foi publicado na gestão da SECEL, em 2006, para divulgar o folclore de Porto Velho. De autoria do amigo José Monteiro. Foi lançado na noite do Lançamento do 25º Arraial Flor do Maracujá, em 2006.
10 – Uma publicação especifica sobre as mulheres que de alguma forma se notabilizaram nas terras de Rondônia. Também foi publicado em 2006, na gestão da SECEL.
Os três livros abaixo são de minha autoria. E todos foram publicados com apoio de instituições privadas. Para isso contei com o apoio incondicional da BrasilTelecon, FARO, Rondoforms e Uniron.


terça-feira, 19 de abril de 2011

DIA DO ÍNDIO

Hoje é DIA DO ÍNDIO - Foi instituída no dia 19 de abril de 1944, por decreto assinado por Getúlio Vargas (coincidentemente a data de seu aniversário). Foi o Marechal Rondon o grande responsável pela implantação dessa data no Brasil, após estudos, convenceu o presidente Vargas a destinar um dia de homenagem a todos os índios do continente americano.

Quando falamos de defesa aos indígenas tem-se no Brasil um ícone: Rondon, intransigente defensor dos índios brasileiros. Passou a ter admiração e respeito as etnias indígenas seguindo o exemplo de seu primeiro e único chefe no sertão, o major Gomes Carneiro. Rondon foi além. Propôs a criação de um órgão destinado à causa indígena, sendo aceito pelo presidente Nilo Peçanha, que autorizou a instituição do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, sendo Rondon seu primeiro presidente.

Seguidor da doutrina positivista, Rondon considerava os índios com direito a prosperar, podendo evoluir para estágios iguais aos “homens brancos”, pois têm inteligência e capacidade. Bastava dar-lhes as condições de novas técnicas, ferramentas e garantias de suas terras. Naquele tempo, os índios eram vistos como inimigos por considerarem uma barreira para o chamado “progresso brasileiro”. Rondon passou a se opor a tudo isso e a defendê-los, fazendo com que o Estado garantisse sua proteção.

Mesmo antes da criação do SPI, Rondon já fazia defesa aos índios. No período em que realizava sua jornada em direção ao Madeira, viu publicado na Revista do Museu Paulista, em 1908, um artigo do renomado diretor do Museu de São Paulo, H. Ihering, que declarava que o único caminho para o progresso do interior de São Paulo era o extermínio dos Kaingang. Na ocasião, esses índios viviam atacando os trabalhadores que participavam da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que atravessava suas terras.

Uma das vozes que se manifestou contra H. Ihering foi a do major Rondon, que escreveu uma carta em apoio a João Baptista de Lacerda, então diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que também se manifestou contrário ao Diretor do Museu de São Paulo. Na carta Rondon expõe sua impressão de como os índios deveriam ser tratados:

“Todos teem capacidade bastante para as artes quaesquer e para a indústria, como provam os seus trabalhos rudimentares de toda sorte, para assimilar as sciencias desque que a elles facilitemos uma educação; não são elles nem mais bárbaros nem mais deshumanos do que os que, proclamando-se civilizados, não trepidam em pregar o extermínio de uma raça inteira, a pretexto de progresso e civilização.” – Do livro Impressões da Comissão Rondon: Major Amílcar Botelho de Magalhães. 3ª ed. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1926. p. 256.

Rondon já havia passado por experiências negativas com os Nambiquaras, em 1907, quando foi atacado e não morreu, por pura sorte. Naquele momento titubeou, entre atacar e não atirar nos índios que os flecharam. Preferiu se retirar como um ‘covarde’ para ter depois a recompensa. Cinco anos depois faz as pazes definitivas com aquela etnia, considerada a mais hostil daquela região do Mato Grosso. Rondon sabia que para atravessar suas extensas terras teria que ser pacificamente. Antes de 1912, os Nambiquaras causaram temor e inúmeras mortes de trabalhadores da Comissão.

No final da década de 1930, o etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, então com 22 anos, fez uma viagem ao longo da linha do telegrafo, e conheceu muitas histórias sobre trabalhadores da Comissão Rondon que tinham sofrido mortes horríveis nas mãos dos Nambiquaras e chamou aquela região de “Mundo Perdido” – Livro Tristes Trópicos, p. 233.

Rondon pacificou dezenas de grupos indígenas no Centro-Oeste e Norte brasileiro e jamais permitiu que seus comandados atacassem os índios, mas usassem sempre a persuasão e métodos de aproximação para que não houvesse hostilidade. Pela causa, Rondon se dedicou por mais de seis décadas. A relação respeitosa com os grupos étnicos contribuiu para desmistificar a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos que se estabeleceu em torno dos índios, antes de Rondon.

Dos milhares de encontro com seus amigos indígenas, um foi marcante e aconteceu quando Rondon fez sua última viagem ao Mato Grosso, e pôde visitar o velho chefe Bororo Oarine Okuneu, chamado de Cadete. São amigos há mais de 50 anos. De mãos dadas conversaram longamente na língua Bororo. Em dado momento Rondon vira-se para seus acompanhantes e explica: “Sabem o que ele está dizendo? Aconselha-me a vir morrer aqui porque, estando eu assim tão velho, já não posso durar muito, e só os Bororo saberão fazer o meu funeral”. O velho índio morreu antes de Rondon.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O SONHO NÃO MORREU

O recorte acima, com a matéria “Prédio virar museu, sonho muito antigo”, publicado no jornal O Imparcial, já extinto, de 22 de março de 1987 (24 anos atrás), onde declarei que o meu sonho era ver um dia o Palácio Presidente Vargas transformado em museu, parece que não morreu. E pode se tornar realidade até o próximo ano.

Ainda era um jovem, 26 anos, idealista, como todo jovem recém formado, numa década que também não morreu, pelo menos na musicalidade. Era auge dos anos 80, a juventude ouvia rock de qualidade, produzida pelos maiores nomes daquela década: Cazuza, Paulo Ricardo (Banda RPM), Renato Russo, Lulu Santos, Engenheiros do Hawaii, Marina, Ira, Camisa de Vênus, rádio Taxi, Frenéticas, Magazine, Absurdetes, Lobão, enfim, e outras dezenas de bandas.

Eu vivia entre dois mundos: ouvindo rock anos 80 e dirigindo o maior museu de Rondônia. Era fã da primeira banda de rock que surgiu em Rondônia: Banda "Ponte Aérea". Formada por dois amigos e meus irmãos.

Quando digo que os anos 80 não morreu, é porque a juventude atual, o que mais curte, nas principais casas noturnas da cidade, são musicas dos anos 80. Por isso ainda me sinto um “velho jovem”. Principalmente quando ouço a Banda "Semáforo 89" tocar. Meu filho Daniel, é a extensão da Banda "Ponte Aérea".

Porque fiz essa viagem musical, esse paralelo. Foi para dizer também que museu não é “coisa de velho”. É para quem tem cabeça e sabe valorizar e curtir o passado e o presente. O jovem europeu faz isso muito bem. Sem preconceitos.

Pois bem. O governador Confúcio Moura já declarou, por diversas vezes, que quer ver o prédio do Palácio do Governo transformado em museu. Saiba governador Confúcio, que sua intenção é elogiável sobre todos os aspectos. Outras capitais já fizeram isso e a população aprovou. Rondônia precisa sim de um suntuoso museu. Mas um museu na verdadeira acepção da palavra. Vai ficar na história.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

SERVIDORES PÚBLICOS EM APUROS

Há pouco mais de uma semana alguns servidores federais a disposição do Governo de Rondônia, foram surpreendidos com um chamamento, via telefone, para participarem de uma reunião onde seriam tratados assuntos de suas transferências para órgãos federais instalados em Porto Velho. Durante a reunião, uma servidora da Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda - SAMF comunicou, sem pena e sem dó, que os que estavam ali seriam transferidos dos quadros do Governo de Rondônia para órgãos federais.

A Servidora da SAMF foi ríspida e direta, como se aqueles servidores que hoje se encontram lotados nas Secretarias do Governo de Rondônia fossem pessoas diferentes e inferiores. Ali, foram humilhados, coagidos e tratados como “meninos”. A cada pergunta que um servidor fazia para a dita servidora, que se acha superior aos demais colegas, ela respondia com pura arrogância e intimidação. E ainda dizia: “quem não for para os órgãos federais por bem, vai por mal”. Pura arbitrariedade.

A indignação dos servidores é a forma como eles foram comunicados e tratados pela servidora. A SAMF desrespeitou, ou deixou de lado algumas normas de comunicação entre entes públicos, como por exemplo, enviar ofício aos Secretários do Estado, dando ciência as autoridades estaduais, que medidas querem com os servidores lotados no Governo. Como vou explicar abaixo, segundo a “PEP” – Pura e Espontânea Pressão:

- Esquece a SAMF que os colegas servidores quando foram contratados, no início da década de 80, era para servir nos quadros do então Território Federal de Rondônia, que depois se transformou em Estado. Portanto, a origem de seus contratos é de servidor do Estado. Agora que estão precisando de servidores nos órgãos federais, por falta de concurso, são chamados, repentinamente, para serem lotados em setores que sequer tem AFINIDADE;

- Pelo que parece, não chegou aos órgãos estaduais nenhum comunicado oficial, para que os respectivos servidores fossem participar da reunião promovida pela SAMF;

- A SAMF deve saber que os servidores federais do ex-Território, que se encontram nos quadros do Governo estadual, estão lotados legalmente nas Secretarias, assinam seus pontos, respondem pelos seus atos e têm seus superiores;

- Todos os servidores que participaram da reunião “de tortura” têm pelo menos 30 anos de serviços prestados, ininterruptamente, nos quadros do Governo de Rondônia, portanto, estão quase para se aposentarem, e devem ter um tratamento mais digno pelo órgão federal (SAMF), responsável pelos destinos dos servidores federais à disposição do Governo de Rondônia;

- Sabemos que os servidores chamados para a reunião são Agentes Administrativos, mas, boa parte desses servidores possui nível superior, e muitos exercem atividades de nível superior nas respectivas Secretarias de Estado. Já foram secretários, chefe de gabinetes, prestaram assessoria aos gabinetes, elaboram projetos, participam de coordenação de programas e projetos, enfim, estão acima das qualificações dos quais foram contratados à época. Se não tiveram ascensão funcional foi por causa do próprio governo federal que não oportunizou, até o momento, o benefício;

Essa arbitrariedade está causando constrangimento e baixa estima nos servidores, pois repentinamente, estão mudando seu cotidiano, baseado há décadas, nas regras administrativas do Governo de Rondônia.

Será que quanto mais a democracia se fortalece no país, mais ela se parece com uma ditadura?

sábado, 9 de abril de 2011

O “Jardim” afundou no barco

Todas as vezes que visito a Estação da EFMM me surpreendo com uma novidade no barco ali enterrado pelo poder público. Amigo Silvio Santos (Zecatraca) não é implicância e nem perseguição, mas pura coincidência. Já falei uma vez que ali tem espíritos que perambulam por lá. Acho que eles estão brincando comigo ou com o prefeito.

Neste sábado, 09 de abril, ao levar umas pessoas para visitar o nosso principal monumento histórico da cidade, me deparei com o “jardim”, que fizeram para camuflar a embarcação soterrada, afundando para dentro do barco. Ou seja, o “belo” serviço com o dinheiro público não esta adiantando para nada. Já disse anteriormente que o barco insiste em sobreviver, queiram ou não, tanto que está desmanchando o “jardim”. Prefeito, ali tem fantasmas e eles não querem nada malfeito naquelas bandas ferroviárias. MUITO Cuidado.

A nossa cultura tem arte de qualidade

Dia primeiro de abril (não foi mentira) tivemos a abertura da Exposição CORES, FORMAS E ENCANTO DA ARTE, composta pelos artistas plásticos J. Messías e Zoghbi, que se estenderá até 02 de maio/2011.
Indico as pessoas que gostam de artes plásticas e aquelas que não conhecem ainda as potencialidades artísticas dos nativos e dos que aqui moram e fazem arte da melhor qualidade. Com a presença de um público seleto e do secretário da Secel, o amigo Chicão, a Exposição é um compacto de dois artistas que se destacam no meio artístico rondoniense. João Zoghbi é o talento nativo que dispensa meu elogio. Mas que costumo classificar como um dos poucos artistas que é realmente inconfundível nas suas pinceladas sobre as telas. Coloco entre os melhores da classe, no nível de Rita Queiroz, Geraldo Cruz e Margot. Esses têm em comum o puro talento entre os artistas rondonienses. Em qualquer lugar do mundo que estiver uma de suas obras sobre tela é possível identificá-los pelos traços do pincel. Vi, gostei e recomendo a Exposição Cores, Formas e Encanto da Arte.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ORALIDADE COMO PATRIMÔNIO

Por: William Haverly Martins*

Sempre me intrigou a índole do administrador público, especialmente daqueles incumbidos do poder de construir, destruir, revitalizar ou simplesmente preservar. O que leva um homem público a construir uma moderníssima pirâmide de vidro em frente ao tradicionalíssimo Museu do Louvre?

Qual a lógica convincente da sua argumentação capaz de levar a contento sua megalomania a 2piR da linha nada?

Que significado teria aquela pirâmide a ponto de sufocar toda uma herança cultural – material e imaterial? Seria o túmulo egípcio na versão francesa, local onde seriam guardados os tesouros artísticos?

Ainda que atrasado e maquiavelicamente de longe, mas com o pressuposto de herdeiro da humanidade de tronco único, arrisco minhas interrogações terceiro-mundistas, irmanando-me a inúmeros críticos da velha Europa.

Mexendo na geografia com os poderes de mago do mariri, feiticeiro das letras, da crítica e da herança emocional, permito-me transportar minhas interrogações, acrescidas perigosamente de exclamações, mais pra perto de nós, as trago para o palco das realizações do administrador do patrimônio histórico cultural do município de Porto Velho.

O que pensa o administrador público quando desce a ladeira Comendador Centeno, a pé ou a bordo dos inúmeros e luxuosos veículos comprados com o dinheiro do povo, e se depara com os escombros de um prédio histórico, onde outrora funcionou uma vibrante Câmara Municipal?

E se eu lhes dissesse que este mesmo administrador brindou a cidade e seu povo com o Mercado Cultural, ignorando o quasímodo de concreto, construído com a autorização estúpida de administradores do passado, que tanto enfeia nosso centro histórico?

E se eu lhes dissesse que este mesmo administrador vem brigando com desapropriações para “doar” à população uma área de lazer e deslumbramento na beira do Madeira, algo digno de aparecer nas fitas de Hollywood, apesar do lixo e do esgoto despejados pela população e pela Prefeitura ao longo de seu silencioso leito?

Um administrador acostumado com o pico das estatísticas também tem seus vacilos, afinal ninguém é perfeito, sim, a cidade está cheia de buracos, o Triângulo está ilhado, a Vila Candelária passou de cartão de visita a cartão de estupefação, a chuva vem castigando impiedosamente a cidade, mas a gente sabe que não é mole administrar uma cidade competindo com as águas de março, é como competir com Deus.

A gente até divisa estas dificuldades operacionais estampadas na face do prefeito, nas poucas aparições publicas. A cara parva dos apaixonados, que o caracteriza diante dos inúmeros problemas, dá dó - bom que se esclareça – apaixonado pela cidade que o acolheu e a qual ele se dedica por inteiro.

Todas estas sombras de inverno contrastam com o brilho veranico da euforia, quando em atos públicos de inauguração deixa aparente, nos olhos alagados, os laços que unem o coração a um rincão que não é próprio. A argúcia petista para solucionar os mais intrincados questionamentos sociais e culturais, bem ao estilo lulista que consagrou o PT no seio da opinião pública, caracteriza o Prefeito.

Certa vez, dias depois da inauguração do shopping, ouvi, no meio dos freqüentadores, por um destes acasos inexplicáveis, uma moça, com o rosto de estréia deslumbrada, comentando com outra, enquanto descia a escada rolante e o prefeito subia a escada ao lado: “Olha lá o prefeito, agora ele se acha, chegou aqui puxando a cachorrinha, e tai, nem olha pros lados”.

Que maldade com um homem simples que galgou todos os degraus do sucesso pelos canais da competência e da democracia, aliás, esta vem sendo a tônica do PT nestes últimos anos, como sou baiano de nascimento, embora rondoniense de coração, conheço bem a administração petista, não sinto saudades do Toninho malvadeza, nem de seus herdeiros.

Por esta e por outras, acredito, com conhecimento de causa, que os vidros do carro do prefeito devem estar embaçados, ou ele não costuma descer a ladeira Comendador Centeno, porque um administrador, como ele, que olha o patrimônio histórico da cidade como um bem que representa identidade, que exalta o valor da nossa cultura, um homem que vê nossos símbolos do passado como o retrato de um tempo histórico tatuado em nossa memória, jamais deixaria um prédio com tanto valor sentimental se acabar daquela maneira, morrendo à míngua como um cão danado, se esfarelando entre os dedos paradoxais do tempo: destrói para nos dar a chance de reconstruir, derruba para nos dar o gáudio da vitória de erguê-lo dos escombros.

Os gritos das paredes da velha Câmara, teimosamente em pé, fotografadas pela sensibilidade minhoqueira de Antonio Serpa do Amaral Filho, atingiram-me no peito e na memória, foi como se ouvisse reverberando no tempo as vozes imortais de Dionísio Xavier, Anísio Gorayeb, João Bento da Costa, Antonio Leite da Fonseca, Luiz Lessa Lima, Cloter Saldanha da Mota, José Saleh Morheb, João Dias Vieira, Amizael Gomes da Silva, Marise Magalhães Castiel e tantos outros que nos deixaram com a missão de preservar-lhes a oratória e a tribuna, onde travaram batalhas memoráveis pelo fim da ditadura militar, pelo progresso do município de Porto Velho que se estendia até os limites do hoje Estado de Rondônia com Mato Grosso, no distrito de Vilhena.

Meu apelo, acenando uma bandeira coletiva, pela urgente restauração do prédio em tela, se desloca do prefeito e passeia pela Nova Câmara Municipal, na busca desesperada de reforço ao pleito de toda a comunidade cultural, de todo o povo desta terra dotado de olhos críticos: os brilhantes vereadores do século XXI não podem deixar que se apague aquela chama, ruínas de um tempo que marcou vidas; não podem silenciar os gritos do passado porque representam a história desta terra e deste povo, não ouvi-los é conviver com a iminente assombração das eleições que se aproximam, é se arriscar a perder os votos fantasmas, comuns aos aluizistas, mas que podem voltar acrescidos dos votos pelecurtistas, com o adjutório convincente dos herdeiros dos embates da lembrança: o autêntico sobrenatural se irmanará ao real, guardiões da cultura, da história e do patrimônio oral da política. UUUUUUUUUUUUUUUUU!!!

Embora saiba da vaidade faraônica dos administradores públicos, não quero, não sonho, nem como centro irradiador de energia, a construção de uma pirâmide de vidro na frente do prédio da velha casa de leis, a humilde sugestão é que o espaço seja transformado no Museu da Câmara Municipal de Porto Velho, com exposição detalhada de todos os discursos proferidos naquela antiga casa, além de fotos, objetos e tudo mais que esclareça aos jovens como os bandeirantes do passado contribuíram para o orgulho de tanta beleza, tanto progresso, engalanando nossos corações.

Poderia ainda servir de sede definitiva para ongs, ou organizações municipais ligadas à cultura, como a Associação Cultural Rio Madeira, instituição que congrega representantes de vários segmentos da cultura do município.

Restaurando os saberes da velha Câmara, a Prefeitura e a Câmara de Vereadores estariam proporcionando às gerações futuras fonte de experiência emocional, incutindo-lhes respeito a sua ancestralidade.


*Membro efetivo da ACRM e Membro efetivo da ACLER

quarta-feira, 30 de março de 2011

Embarcação vira “jardim”

A Madeira Mamoré é um complexo ferroviário que margeia os rios Mamoré e Madeira e tem os seus extremos as cidades de Guajará-Mirim e Porto Velho. Venho acompanhando desde o início as obras de revitalização da Estação da Madeira Mamoré desde meados de 2006, sob a responsabilidade da Prefeitura de Porto Velho. Até março de 2011 foram concluídas algumas obras, como a urbanização parcial do pátio, restauração de dois galpões, a reforma do teatro de arena, a restauração do prédio da Estação, a reforma do prédio do antigo plano inclinado, construção de calçadão entre a Estação e a Avenida Farquhar e a construção de uma praça onde estavam as barracas de vendas a beira do Madeira, em frente ao Galpão 2.

Tudo isso benéfico, obras necessárias e que devemos reconhecer como importantes para a revitalização daquele espaço histórico. O custo para concluir essas obras, segundo a Prefeitura, ficou em torno de 11 milhões de reais.Mas tenho visto equívocos que merecem observação, como o que vem acontecendo com a embarcação ali encalhada no pátio da Estação por pelo menos cinco décadas. No dia 22 de fevereiro postei umas fotos da dita embarcação neste blog, mostrando que ela estava completamente abandonada e servindo de criadouro para mosquitos e lixeira. Na verdade, eu quis dizer que se gastou tanto dinheiro para a recuperação parcial da Estação e deixaram a pequena embarcação de fora das obras. Inadmissível. Estive no pátio da Estação, dia 26 de março, e não acreditei no que vi. Colocaram cascalho no interior da embarcação e depois fizeram um “jardim”. Eu pensei: fizeram um cemitério para os mosquitos? Falando sério, até agora tento entender a atitude de tentar soterrar o barco. Fiquei mais espantado quando li no Jornal “O Estadão”, dessa terça feira, 29 de março, que o “Barco não tem nenhum valor histórico, diz Iphan”. É preocupante um órgão que tem a responsabilidade de preservar bens históricos ou representativos de uma sociedade, tomar uma decisão sem ter feito uma avaliação mais profunda do barco, que já faz parte do contexto daquele espaço por estar ali há pelo menos 50 anos. Porque, então, não retiraram a embarcação antes da reforma, já que o Iphan “atesta” que “não tem valor histórico”? Porque deixaram lá, como se ninguém fosse verificar o seu abandono? Porque fizeram dela um “jardim” de mau gosto? Será que é essa a única alternativa para o seu destino final? E olha que eu ainda não falei das máquinas “Maria-fumaça” e dos vagões que estão caindo aos pedaços na própria Estação. O Superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, Beto Bertagna, ao dizer que a embarcação “NÃO TEM VALOR HISTÓRICO” deveria apresentar um histórico do acervo. Mas achou por bem autorizar enterrar o barco. Se pretendia enterrar, o serviço foi mau feito. Tanto que aparece parte da embarcação, como partes da popa e da proa, como querendo dizer que ainda sobrevive por que fez parte da historia dessa região – dos seus rios. Mas na mesma reportagem o Superintendente entra em contradição. Diz que a Prefeitura deveria ter retirado o barco do pátio antes das obras. E que o procedimento de enterrar o barco, preserva mais o monumento. “Quem quiser realizar pesquisas posteriormente pode usar a embarcação, pois ela continuará no mesmo local.” – diz ele ao Estadão. O que é isso Superintendente. Se a embarcação “não tem valor histórico”, então, porque continuar com “aquele lixo” no pátio. É mais prudente retira-la do cenário histórico da Estação da EFMM. Eu disse LIXO, porque se o Iphan constata que não é uma peça histórica, então não tem sentido continuar no local, causando má impressão ao visitante. Por outro lado, enquanto estiver no pátio da Estação, as pessoas continuarão a questionar a sua existência. Como várias vezes me fizeram perguntas sobre a embarcação. Na minha humilde opinião, o barco tem valor histórico para a cidade de Porto Velho. Onde deverá permanecer, como um dos testemunhos do desenvolvimento dessa região, é uma decisão de vários órgãos que tem o dever de preservar o patrimônio histórico. E não tomar uma decisão unilateral. Sugiro que se restaure a embarcação e a coloque novamente no rio, aportando em frente à Estação, como mais um atrativo do complexo. Já me disseram que se chamava “Xapuri” e que foi parar naquele local porque houve um crime em seu interior e por isso fazia parte do inquérito. Mas ao fotografar a desativada embarcação, observei na popa que está escrito “Pará”. Portanto, merece uma pesquisa mais aprofundada com antigos moradores, antes que seja tarde e se faça uma injustiça. Ai eu pergunto aos entendidos: a locomotiva 50 tem valor histórico para a Madeira-Mamoré? Ela veio do Sul do país,em 1982, para percorrer o trecho turístico revitalizado naquele ano, entre Porto Velho e Teotônio. Portanto, não faz parte do acervo original da Ferrovia. Então, porque permanece no pátio da Estação? Posso dizer que é uma “peça velha” e não está em uso, por falta de condições mecânicas. A ferrugem está demolindo a máquina. São dois pesos e duas medidas ou duas medidas e dois pesos?

Fica claro que o ‘valor histórico’ depende do ponto de vista de cada pessoa ou da instituição. Às vezes, depende da conveniência do momento. Vamos colocar o assunto para um debate, é mais democrático, e assim, pode-se tomar uma decisão sem radicalismo.

sábado, 26 de março de 2011

BANDA “RESTART” CANCELA SHOW EM MANAUS

O baterista da banda RESTART, Thomas, declarou no programa “Vídeo Show” realizado pela banda há um ano, que tinha como sonho tocar no Amazonas. "Imagina, tocar no meio do mato, não sei nem como é o público de lá. Não sei nem se tem gente civilizada, civilização."

Foi o suficiente para causar tremenda revolta nos amazonenses, que nas redes sociais passaram a detonar o baterista. Os membros da “bandola” Restart ainda fizeram um vídeo para pedirem desculpas pelo infeliz depoimento. "Estou aqui para pedir desculpa para a galera de Amazonas. Me equivoquei, falei sem pensar", disse o baterista. Nada disso adiantou.

Com show marcado para acontecer no Studio 5, no próximo dia 1º de abril de 2011, foi cancelado por razões de “Ordem Pública”. Os organizadores após perceberem que os jovens se mobilizavam pela internet e prometiam fazer um protesto pacífico durante o show, por precaução, decidiram por cancelar o evento, temendo pela ‘integridade física’ dos integrantes da banda e do público.

Valeu, amazonenses, pela atitude de protestar a ponto dos organizadores cancelarem o show. Essa declaração do garoto dessa "bandola" de alienados, é um exemplo de como o Norte do país ainda é visto. Isso é corriqueiro na imprensa do país, e mostra que boa parte dos brasileiros que moram no Sul e Sudeste do país pensa em relação à região.

segunda-feira, 21 de março de 2011

TERREMOTO/TSUNAMI EM PORTO VELHO

Vou fazer uma analogia dos assuntos do momento: revolta no canteiro de obras de Jirau com o terremoto/tsunami ocorrido no Japão, no dia 11 de março.

Tudo começou em 2001, com os trabalhos de prospecção nas cachoeiras de Santo Antônio e Jirau. O estudo era para saber a real viabilidade econômica e o potencial energético do empreendimento. Em 2003, foram feitas as primeiras reuniões com os segmentos de Rondônia.

Na condição de Secretário Municipal de Meio Ambiente, fui convidado a participar da primeira grande reunião no auditório do Hotel Aquário.

Após a demonstração em telão de como seriam as obras das hidrelétricas no rio Madeira, um grupo de pessoas e políticos de um grande partido manifestou-se contra as hidrelétricas no Madeira. Foi um constrangimento geral.

Naquele momento, o Brasil passava por uma crise energética. O apagão que ocorreu, em 2001, causou preocupação no governo. A saída para termos energia para evitar novos apagões seriam as construções de hidrelétricas na Amazônia, pelo potencial hidrográfico da região. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste haviam se esgotado qualquer possibilidade de outras hidrelétricas para atender a demanda energética do país.

A prioridade era Belo Monte, no Para, e Madeira. Era uma questão prioritária do governo federal.

Faltava agora convencer a sociedade para que ela aceitasse essas interferências no curso de um rio de grandes proporções em volume de água e extensão. As empresas construtoras passaram a cooptar adeptos para conseguir o seu intento.

As primeiras estratégias foram: obras sem impactos ambientais e geração de emprego. Caíram como uma luva.

Governos, empresários, instituições, e políticos, se uniram a favor das usinas. A mídia local contribuiu para divulgar o grande mote: empregos para a população.

Ao mesmo tempo os estudos ambientais avançavam. Mas questionamentos eram feitos. Com essas construções anunciadas na mídia nacional, os porto-velhenses passaram a temer uma mudança na rotina da cidade. A experiência do garimpo no Madeira não era das melhores.

Portanto, a possibilidade dessa catástrofe foi anunciada antes mesmo das obras se iniciarem. Sabíamos antecipadamente do grande volume de pessoas que viriam para Porto Velho atrás de empregos. Portanto, tínhamos consciência das conseqüências que as construções das hidrelétricas trariam em todos os sentidos: ambiental e social. Ou seja, os abalos sísmicos poderiam acontecer pelo tamanho dos empreendimentos, com terremotos e tsunamis em alta escala.

Mas a pressa é inimiga da perfeição. E assim, se iniciaram os trabalhos da montagem dos canteiros das obras.

Como a população estava vendida, aceitou as usinas como se fosse uma obra de sonhos e maravilhas. Pintaram o paraíso com cores atraentes na Amazônia. Um novo eldorado se estabelecia para todos. Isso foi dito diariamente por todos que eram a favor das obras. Mas, nos colocaram numa região sujeita a terremoto de alta escala.

Me lembro que adesivos foram confeccionados para colar nos carros como forma de induzir a comunidade local a aceitar as obras no Madeira como as salvadoras dos desempregados.

Contudo, não fizeram a preparação do terreno (Porto Velho) antes do início dessas grandiosas obras no Madeira.

A população aumentou assustadoramente. Em três anos pelo menos 100 mil pessoas a mais na cidade.

As promessas de melhorias estruturais da cidade foram anunciadas. Mas continuamos com a mesma infra-estrutura: não foram construídas escolas para atender a demanda crescente; não alargaram as principais vias urbanas; os viadutos até agora estão por concluir; a quantidade dos bancos oficiais são os mesmos (Banco do Brasil e Caixa); estruturas da saúde pública são as mesmas (fizeram apenas reformas); faltam funcionários públicos no sistema de saúde e segurança pública; transporte urbano; a rodoviária é a mesma (superlotada nos finais de semana). Enfim, aquilo que prometeram a população, pouca coisa foi acrescentada.

Como não construíram as obras para suporta os possíveis abalos sísmicos, sabendo que estamos numa cidade construída (pelos que eram a favor das usinas) sobre rachaduras de placas tectônicas, mesmo assim, deram pouca importância ao caso. Algumas ações se iniciaram, mas estão lentas para sua conclusão.

Os impactos sociais estão presentes em nossa cidade de Porto Velho e nos distritos com acréscimos: da violência, de estupros, de assaltos, da prostituição, de roubos e, demais mazelas.

Como estamos vivendo numa região de risco, o que temíamos aconteceu antecipadamente, dia 16, às 17h e 30m. O terremoto (revolta dos trabalhadores) foi devastador, 8,9 graus de magnitude, com o epicentro do tremor no canteiro de obras de Jirau. Uma das fissuras da placa tectônica que sempre indicou perigo, se móvel brutalmente.

Como o terremoto aconteceu no meio do Madeira suas águas se levantaram, gerando uma grande anda (milhares de trabalhadores) chamada tsunami, que se formaram em conseqüência do tremor.

À medida que a grande onda rumava em direção a Porto Velho, ela passou pelo Distrito de Jaci Paraná. Os moradores apavorados, aos gritos de pavor, com medo de saques e incêndios, começaram, alguns, fazer mudança, colocando seus pertences em carros para deixar o Distrito. Pude assistir uma filmagem de celular, que mostra o pavor dos moradores, como uma dramatização hollywoodiana.

A notícia do tsunami (avanço dos operários) em direção a Porto Velho deixou a população apreensiva. Quando as ondas (trabalhadores) adentraram a cidade, causou estragos em parte da cidade: pânico, medo, comércio fechado e stress emocional.

A noite de quinta-feira, 17, transformou a cidade quase vazia. Até os bares e casas noturnas da Pinheiro fecharam. Mas, para a sorte dos porto-velhenses, as ondas que chegaram à cidade, perderam suas forças (fúria dos trabalhadores). Mas o pânico foi geral.

Ficou demonstrado nesse primeiro terremoto/tsunami, que a empresa construtora, não está preparada para tal fenômeno sísmico dessa envergadura. Faltou experiência e mesmo capacidade da empresa em agir com competência para minimizar os impactos, como incêndios e quebradeira do patrimônio no canteiro de obras.

Até agora a empresa responsável pela construção da hidrelétrica não informaram oficialmente a população o porquê da revolta dos trabalhadores.

A maioria da população não tem nada com a situação particular (empregador/trabalhador) dessas empresas privadas construtoras das hidrelétricas. Elas têm o dever de proteger a população desse constrangimento grosseiro, como a do último acontecimento. Portanto, terremotos e tsunamis ainda poderão ocorrer futuramente. Por isso a cidade deve ser protegida dessas tragédias.

O que estamos passando, é o prenúncio do que poderá vir acontecer no futuro em nossa cidade, quando esses mesmos operários estiverem sendo dispensados com o final das obras de concretagem. Serão milhares de desempregados.

Para minimizar os impactos do tsunami se construiu uma barreira no entorno da cidade, onde se mobilizou um aparato de servidores públicos de segurança para conter a possível fúria avassaladora, envolvendo, Polícia Civil PM, Polícia Federal, Guarda Nacional, ABIN e o Exército.

Quem vai pagar essa conta?

terça-feira, 15 de março de 2011

Trevo do Roque Precisa de Semáforos

Surpreendi-me com os semáforos instalados nos cruzamentos das Avenidas Rio Madeira com Imigrantes. Após dezenas de acidentes terem acontecidos no cruzamento a Semtran (após estudos, estatísticas, n. de acidentes com feridos e prejuízos) decidiu a colocar os sinaleiros. Será que faltava dinheiro na Prefeitura? Antes tarde do que nunca.

Agora, mais do que nunca, e já vai tarde demais, é necessária a colocação dos semáforos na rotatória do Trevo do Roque. Acidentes alí ainda não são mais freqüentes porque existe certa colaboração dos motoristas que vem na preferencial. Mas já chega.

A Prefeitura tem que Cobrar do DNIT ou da Polícia Rodoviária (se for o caso) os sinaleiros no Trevo do Roque. Aqui vai uma cobrança à Polícia Rodoviária Federal que deve estar presente nos horários de pico naquela rotatória enquanto os sinais não são colocados. Os carros ficam acumulados a espera de um espaço para passar à rotatória de forma perigosa. Um absurdo por parte da Polícia Rodovia Federal que deixa entregue aos desmandos de certos motoristas.

Vejam o n. de veículos na preferêncial, enquanto na BR dezenas de carros ficam à espera.

Inclusive, os ônibus que servem as empresas construtoras das hidrelétricas fazem o que querem quando chegam ali. Ultrapassam de forma perigosa. Portanto, se faz necessário a presença dos policiais rodoviários naquele local nos horários mais críticos.

Quanto deve custar colocar os semáforos ali? Não deve passar de “Hum Milhão de Reais”. Se for bem menos, pego uns amigos e amigas, e vamos fazer pit-stop para arrecadar dinheiro no Trevo do Roque e doar para o DNIT instalar os equipamentos. Precisa disso?

domingo, 13 de março de 2011

Haitianos em Porto Velho: O que fazer?

Mesmo sendo radicalmente contra qualquer tipo de xenofobia, a questão da invasão de refugiados haitianos na fronteira do Norte brasileiro deve ser analisada com cautela, pois quem conhece a história de Rondônia a fundo sabe que a mesma parece estar se repetindo. Outrora, fomos invadidos por estrangeiros vindos de vários lugares do mundo em busca de trabalho na Construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, e cidades pioneiras de Rondônia como Porto Velho e Guajará-Mirim nasceram sob a égide da construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, e esses estrangeiros contribuíram para formação de nossa cultura. Atualmente, pessoas de vários lugares do país, e, agora até do Haiti, se deslocam para Porto Velho à procura de trabalho nas Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira.

Tenho no meu sangue várias etnias: portuguesa, índio marajoara, peruana e boliviana. Sou pura emoção. Sei que vou tocar em um tema muito delicado, mas, se me propus a falar e escrever o que sinto, não posso negar a minha vontade.

O tema é delicado porque envolve emoção e razão. E sabemos que o latino é emotivo, geralmente decide mais pela emoção que pela razão. Por isso, com facilidade “mata por amor”. O matador, ao mesmo tempo, ao ver um beijo de novela, com música romântica tocando ao fundo, se põe a chorar com a cena.

Pois é. Sabemos que o país haitiano é considerado o mais pobre das Américas com uma população miserável. Além disso, a natureza vem castigando duramente seu povo. O último acontecimento foi o terremoto que arrasou o pequeno país e sua população sofre sem limites. Falta tudo. A ajuda humanitária prometida, inclusive pelo Brasil, é insuficiente para atender as necessidades básicas ao povo haitiano. Dá pena e revolta ao mesmo tempo. E vejam a diferença.

Agora mesmo aconteceu o terremoto/tsunami no Japão e mais de 70 países (os mais ricos) estão dispostos a reerguer o país asiático. Os hipócritas norte-americanos ofereceram total apoio e ajuda montando a chamada Força Tarefa da Amizade. Esses “mui” amigos norte-americanos estão fazendo isso porque o Japão não é um país qualquer, a sua economia é forte e se quebrar economicamente, o mundo todo é abalado. Com as atenções voltadas para o Japão, ninguém vai lembrar mais os haitianos.

Voltando ao tema.

Com a miséria e falta de perspectiva de dias melhores em curto prazo, os mais aventureiros e corajosos haitianos estão debandando da pátria miserável para países vizinhos do Continente com melhores condições econômicas, como o nosso pobre Brasil metido a rico. Isso, rico porque é uma das maiores economias mundiais, mas a riqueza está no comando de poucos. Por isso, se dar ao luxo de realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada para brasileiros e estrangeiros afortunados. Mas esconde a miséria debaixo da propaganda oficial do Brasil auto-suficiente. O Brasil do Pré-Sal. Com os combustíveis mais caros do mundo, vendido para os pobres brasileiros. Aquele que compra o seu carro para pagar em 60 meses.

Essa “invasão haitiana” começou pelo interior do Acre e chegaram a Porto Velho no sábado de Carnaval, dia 05, a procura de emprego. Boa parte deles tem boa formação e estão dispostos a trabalhar na nova terra prometida, onde a esperança encanta a todos os nossos irmãos haitianos. O brasileiro sempre foi solícito, por isso temos legiões de estrangeiros morando sem problemas no país. Somos assim.

Mas, ai vem o dilema: o que fazer? Mandar de volta? Deixá-los entregues a sorte? Não. O brasileiro nessa hora tem espírito de beneficência. Beneficência que deveria ser praticada de Natal a Natal. Mas não. Sabemos ser solidário quando a mídia coloca no ar o acontecimento da “moda”, ou seja, as tragédias do momento. Por influência das televisões, que sabe que o brasileiro se comove com facilidade, praticamente nos obriga, por meio da comoção, a enviar um quilo de arroz e uma muda de roupa para ajudar os desabrigados. Já ficou distante a recente tragédia no Rio de Janeiro. Mas eles continuam com sua triste realidade. O político mais ainda. Usa a beneficência com dinheiro público. Do bolso, jamais. O governo demora a enviar o apoio necessário por conta da burocracia.

Da mesma forma, a mídia local, ao divulgar a situação triste dos haitianos, nos deixa comovidos. É por isso, que estamos tratando a situação dos refugiados com a mais pura emoção, humanitariamente, olhando horizontalmente, esquecendo, que ao olhar para baixo, vai ver a realidade nua e crua aos nossos pés, com 30 milhões de brasileiros pobres e miseráveis em seu solo. Lembrei-me da dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil que fizeram a música “Haiti” décadas atrás. E sua letra continua atual, ao dizer: “o Haiti é aqui...” Devido à condição de pobreza de muitos brasileiros.

Uma atitude mais sensata e honesta eram os países que cercam o Haiti juntar-se para chamar a atenção dos mais ricos a fazerem investimentos urgentes naquele pequeno país. O Brasil poderia liderar essa campanha. Dessa forma eles não seriam obrigados a deixar sua terra, conseqüentemente, suas famílias, amigos e costumes, para viver em terras estrangeiras. Essa, sim, é a maior contribuição humanitária que se pode oferecer a eles.

Em Porto Velho estamos abrigando os haitianos no ginásio Claudio Coutinho. E estamos muito sensibilizados com eles. Já tem empresários arrumando empregos e o poder público já esta montando um esforço de ajuda. Muito bem.

Mas vamos lembrar que por aqui, onde estão construindo as maiores obras do país, também com dinheiro público, Rondônia possui ainda milhares de desempregados (boa parte com formação superior) e milhares morando com as mesmas condições da pobreza “haitiana”. Não temos escolas suficientes, hospitais e clínicas públicas decente, e outros problemas sociais que não convém repetir. É só abrir as janelas dos apartamentos a partir do terceiro andar dos belos prédios recém construídos, que se avista a periferia com suas mazelas sociais no entorno da nossa “linda” Capital.

Pois bem. Temos notícia que está a caminho da nossa “Porto Velho Cidade de Todos” mais haitianos. Preocupados, o governador Confúcio Moura e o senador Raupp tomaram iniciativa e agendaram para essa terça feira, 15, uma audiência no Itamaraty para tratar do assunto. O Itamaraty tem que agir o mais rápido possível. Antes que essa situação se transforme num flagelo social. Ai o que poderia ser a “porta da esperança” para uma nova vida, poderá ser um trauma ainda maior.

sábado, 5 de março de 2011

Parque Ecológico em Decadência

Estive dia 27 de fevereiro, um domingo, em visita ao Parque Natural de Porto Velho, mais conhecido como Parque Ecológico, e fiquei triste, estarrecido, decepcionado. Como se tivesse levado uma paulada de indignação. Encontrei o local em decadência, sem a devida manutenção do que foi feito no período de 2001 a 2003, onde, estando no cargo de Secretário Municipal de Meio Ambiente-SEMA, ocasião que foi feito um trabalho de reestruturação e revitalização do Parque, com uma equipe competente que me cercava.

A SEMA foi implantada sob a nossa coordenação, em 2001, tendo o Parque sob a responsabilidade da mesma. E olha, quando recebemos o Parque, ele estava completamente abandonado. Não tinha lixeira; nem telefone; a entrada era um barraco de palha; era passagem de fugitivos do Urso Branco; as pessoas faziam o Parque de balneário público; caçadores matavam animais dentro da reserva; pescavam no rio Belmont; tiravam palha das palmeiras para fazer barraca para arraiais, inclusive o Flor do Maracujá; a estrada de acesso era quase intransitável no período de chuvas, enfim, foi muito trabalho e luta para deixar aquele local aprazível novamente.

O Parque é uma herança do ex-prefeito Chiquilito Erse, que criou aquela unidade de conservação quando o assunto meio ambiente não era uma preocupação global. Mas foi um político de visão e administrador público comprometido com o desenvolvimento de Rondônia.

Ao visitar o Parque tive a sensação que perdi meu tempo, dando tanto suor para que o local voltasse a ser digno para o visitante de Porto Velho e aos turistas. Lembro-me que chegamos a dormir varias vezes no local para vigiar o Parque, evitando a presença de ladrões que adentravam para roubar o pouco que tinha.

Naquele período foi construído um prédio novo (portal), com toda uma estrutura de loja de artesanato, sala de informação com TV e DVD para orientar os visitantes antes de adentrar o ambiente, banheiros, inclusive para cadeirantes, lanchonete, guarda volumes, enfermaria, e até bilheteria caso se quisesse cobrar.

Na área do Parque foram construídos: um parquinho infantil, balanços, mesas com bancos, chuveiro público, bebedouros, recuperação da quadra de vôlei, recuperação da torre para a prática do ‘espiribol’, ampliação do viveiro de mudas, desobstrução e manutenção constante das trilhas, armadores de redes, recuperamos o pequeno zoológico, além das atividades de meio ambiente, cursos, palestras, caminhadas dirigidas nas trilhas, etc.

Com muito esforço e vontade política do então prefeito Carlinhos Camurça a estrada de acesso ao Parque foi totalmente asfaltada. Pude reivindicar a Brasil Telecom a linha telefônica para o Parque e aos moradores do entorno que não acreditavam nessa possibilidade. Colocamos orelhões temáticos, doados pela Brasil Telecom e lixeiras temáticas.

Fomos buscar recursos de compensação ambiental para ter computadores, mobiliário, carro, motos, barco, roçadeiras, decibelímetros, GPS, tudo isso para equipar aquela unidade de conservação e fazer o monitoramento ambiental. Além disso, tinha fiscais de meio ambiente de plantão 24 horas, tendo o apoio da Polícia Ambiental, na época comandado pelo major Josenilton. Um esforço que envolveu vários parceiros para revitalizar o querido Parque Ecológico. Ainda fizemos parceria técnica e de pesquisa com as faculdades FIMCA, São Lucas e FARO. Por isso, o Parque chegou a ter uma média de 2.000 visitas por final de semana. Passou a ser o maior atrativo da cidade. A imprensa local foi fundamental para divulgar e levar o grande público. Sempre foram parceiros.

Hoje não se vê esse esforço. Que decepção. Há, se fosse eu, já teriam me denunciado pelo descaso a imprensa. Para lembrar, ainda tinha alguns vereadores querendo a minha cabeça porque eu fazia e aparecia demais na imprensa.

Imagino que nesse período do novo abandono, ocorreu grande perda da biodiversidade, que é o fator mais importante de um parque natural é justamente a preservação da sua biodiversidade. Perda irreversível, uma vez que a cidade avança para o entorno do Parque.

Por falta de recurso não é. Pois estão construindo as maiores obras públicas do Brasil aqui no município de Porto Velho, que são as hidrelétricas, e porque não foram buscar recursos financeiros das compensações ambientais para projetos dentro do Parque Natural? Está sendo construída uma ponte sobre o rio Madeira. Fizeram uma fabrica de cimento e onde foram parar essas compensações ambientais. Era para o Parque ser um “brinco” se tivessem esforçado para isso.

Se não me engano, desde quando eu sai da SEMA, em 2003, já se passaram sete secretários naquela pasta ambiental. Na atual administração é o sexto Secretário. Quero que o recém empossado secretário Gadelha tenha sucesso. O tempo é curto, mas é possível. Ele é um rondoniense e demonstra ter compromisso com a nossa cidade.

Inclusive, a atual administração produziu um Guia da Cidade de Porto Velho, por meio da Coordenadoria Municipal de Turismo e deixou de incluir o Parque Natural no conteúdo. Será que foi por descuido (quero acreditar que sim) ou por vergonha?

Obs.: Pensei muito antes de postar esse desabafo no blog. Mas...

Abaixo as fotos que mostram o descaso.