domingo, 13 de março de 2011

Haitianos em Porto Velho: O que fazer?

Mesmo sendo radicalmente contra qualquer tipo de xenofobia, a questão da invasão de refugiados haitianos na fronteira do Norte brasileiro deve ser analisada com cautela, pois quem conhece a história de Rondônia a fundo sabe que a mesma parece estar se repetindo. Outrora, fomos invadidos por estrangeiros vindos de vários lugares do mundo em busca de trabalho na Construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, e cidades pioneiras de Rondônia como Porto Velho e Guajará-Mirim nasceram sob a égide da construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, e esses estrangeiros contribuíram para formação de nossa cultura. Atualmente, pessoas de vários lugares do país, e, agora até do Haiti, se deslocam para Porto Velho à procura de trabalho nas Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira.

Tenho no meu sangue várias etnias: portuguesa, índio marajoara, peruana e boliviana. Sou pura emoção. Sei que vou tocar em um tema muito delicado, mas, se me propus a falar e escrever o que sinto, não posso negar a minha vontade.

O tema é delicado porque envolve emoção e razão. E sabemos que o latino é emotivo, geralmente decide mais pela emoção que pela razão. Por isso, com facilidade “mata por amor”. O matador, ao mesmo tempo, ao ver um beijo de novela, com música romântica tocando ao fundo, se põe a chorar com a cena.

Pois é. Sabemos que o país haitiano é considerado o mais pobre das Américas com uma população miserável. Além disso, a natureza vem castigando duramente seu povo. O último acontecimento foi o terremoto que arrasou o pequeno país e sua população sofre sem limites. Falta tudo. A ajuda humanitária prometida, inclusive pelo Brasil, é insuficiente para atender as necessidades básicas ao povo haitiano. Dá pena e revolta ao mesmo tempo. E vejam a diferença.

Agora mesmo aconteceu o terremoto/tsunami no Japão e mais de 70 países (os mais ricos) estão dispostos a reerguer o país asiático. Os hipócritas norte-americanos ofereceram total apoio e ajuda montando a chamada Força Tarefa da Amizade. Esses “mui” amigos norte-americanos estão fazendo isso porque o Japão não é um país qualquer, a sua economia é forte e se quebrar economicamente, o mundo todo é abalado. Com as atenções voltadas para o Japão, ninguém vai lembrar mais os haitianos.

Voltando ao tema.

Com a miséria e falta de perspectiva de dias melhores em curto prazo, os mais aventureiros e corajosos haitianos estão debandando da pátria miserável para países vizinhos do Continente com melhores condições econômicas, como o nosso pobre Brasil metido a rico. Isso, rico porque é uma das maiores economias mundiais, mas a riqueza está no comando de poucos. Por isso, se dar ao luxo de realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada para brasileiros e estrangeiros afortunados. Mas esconde a miséria debaixo da propaganda oficial do Brasil auto-suficiente. O Brasil do Pré-Sal. Com os combustíveis mais caros do mundo, vendido para os pobres brasileiros. Aquele que compra o seu carro para pagar em 60 meses.

Essa “invasão haitiana” começou pelo interior do Acre e chegaram a Porto Velho no sábado de Carnaval, dia 05, a procura de emprego. Boa parte deles tem boa formação e estão dispostos a trabalhar na nova terra prometida, onde a esperança encanta a todos os nossos irmãos haitianos. O brasileiro sempre foi solícito, por isso temos legiões de estrangeiros morando sem problemas no país. Somos assim.

Mas, ai vem o dilema: o que fazer? Mandar de volta? Deixá-los entregues a sorte? Não. O brasileiro nessa hora tem espírito de beneficência. Beneficência que deveria ser praticada de Natal a Natal. Mas não. Sabemos ser solidário quando a mídia coloca no ar o acontecimento da “moda”, ou seja, as tragédias do momento. Por influência das televisões, que sabe que o brasileiro se comove com facilidade, praticamente nos obriga, por meio da comoção, a enviar um quilo de arroz e uma muda de roupa para ajudar os desabrigados. Já ficou distante a recente tragédia no Rio de Janeiro. Mas eles continuam com sua triste realidade. O político mais ainda. Usa a beneficência com dinheiro público. Do bolso, jamais. O governo demora a enviar o apoio necessário por conta da burocracia.

Da mesma forma, a mídia local, ao divulgar a situação triste dos haitianos, nos deixa comovidos. É por isso, que estamos tratando a situação dos refugiados com a mais pura emoção, humanitariamente, olhando horizontalmente, esquecendo, que ao olhar para baixo, vai ver a realidade nua e crua aos nossos pés, com 30 milhões de brasileiros pobres e miseráveis em seu solo. Lembrei-me da dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil que fizeram a música “Haiti” décadas atrás. E sua letra continua atual, ao dizer: “o Haiti é aqui...” Devido à condição de pobreza de muitos brasileiros.

Uma atitude mais sensata e honesta eram os países que cercam o Haiti juntar-se para chamar a atenção dos mais ricos a fazerem investimentos urgentes naquele pequeno país. O Brasil poderia liderar essa campanha. Dessa forma eles não seriam obrigados a deixar sua terra, conseqüentemente, suas famílias, amigos e costumes, para viver em terras estrangeiras. Essa, sim, é a maior contribuição humanitária que se pode oferecer a eles.

Em Porto Velho estamos abrigando os haitianos no ginásio Claudio Coutinho. E estamos muito sensibilizados com eles. Já tem empresários arrumando empregos e o poder público já esta montando um esforço de ajuda. Muito bem.

Mas vamos lembrar que por aqui, onde estão construindo as maiores obras do país, também com dinheiro público, Rondônia possui ainda milhares de desempregados (boa parte com formação superior) e milhares morando com as mesmas condições da pobreza “haitiana”. Não temos escolas suficientes, hospitais e clínicas públicas decente, e outros problemas sociais que não convém repetir. É só abrir as janelas dos apartamentos a partir do terceiro andar dos belos prédios recém construídos, que se avista a periferia com suas mazelas sociais no entorno da nossa “linda” Capital.

Pois bem. Temos notícia que está a caminho da nossa “Porto Velho Cidade de Todos” mais haitianos. Preocupados, o governador Confúcio Moura e o senador Raupp tomaram iniciativa e agendaram para essa terça feira, 15, uma audiência no Itamaraty para tratar do assunto. O Itamaraty tem que agir o mais rápido possível. Antes que essa situação se transforme num flagelo social. Ai o que poderia ser a “porta da esperança” para uma nova vida, poderá ser um trauma ainda maior.

9 comentários:

Anônimo disse...

é isso ai;;;logo vamosestar com cota haitihano nas univarsidedades e concurso e f.... os brasileiros ...

Anônimo disse...

Temos q dar oportunidades a todos, afinal todos querem trabalhar e concerteza devemos acolher como nossos irmãos...

Anônimo disse...

Leva-los ao seu Pais de origrm pois la deixaram suas familias e dar condições para que vivam lá, para cultivar suas terras e de alguma forma encontrar seu sutento em casa. Não esquecendo que estão passando por dificuldades, sabemos que temos muitos militares trabalhando lá, será que não seria a hora de irem outros profissionais (engenheiros agronomos, técnicos agricolas....) e levarem nossas tecnologias para produzrem la seus aliemntos pra eles e seus irmãos. cade a empbrapa, vamos la não dar o peixe mas ensilos a pescar.( produzir seu alimento)

Geciane disse...

Se esses haitianos estão aqui procurando ajuda é culpa do Lula, q quis dar uma de esperto querendo ser amigo de todas as nações e prestando ajuda ao pobre Haiti depois do terremoto. Não há problemas em prestar ajuda aos haitianos.Desde que o Brasil dê o exemplo. Como pode um país pobre querer ajudar outro ainda mais pobre?Não temos condições de lidar nem com os nossos miseráveis,que dirá com os do Haiti? Onde está o Lula agora? Por que ele não vem dar uma de solidário aqui e resolver esse impasse. Os haitianos só vieram aqui cobrar a conta. Já que o Governo Brasileiro não conseguiu levar um pouco de dignidade à essas pessoas após o terremoto lá no Haiti, elas estão vindo cobrar aqui no Brasil.

Brother Bob disse...

Acho que você foi injusto com os americanos. Eles ajudaram de maneira muito firme e organizada quando do terremoto no Haiti. A ONU, o Brasil à frente, tomou para si a primazia de cuidar do desastre. Deu no que deu. Um atoleiro sem fim... É chato isso: se os americanos não ajudam, são um povo ruim, sem solidariedade; se ajudam, é porque têm segundas intenções. Esse antiamericanismo bocó não ajuda em nada...

Ildo disse...

recebemos estes refugiados do flagelo do Haiti. Nada mais a fazer. Porto Velho vive, Graças a Deus, um momento de pujança econômica. Podemos acolhê-lhos e vamos fazê-lo. E em 10 anos veremos se erguer uma nova geração de descendentes com o mesmo amor a Porto Velho que todos nós desenvolvemos quando acolhidos por aqui. E com sangue novo! o sangue bom e bonito do povo Haitiano.

Carlos Capadoccia. disse...

Ao invés de você dono do blog ficar colocando culpa nas pessoas e em tudo! vá fazer a sua parte como ser humano,não fique postando assuntos que sua pessoa nunca conseguiria resolver, ou seja uma utopia para o Sr.
Vá cuidar da sua vida, pois o planeta ja esta cheio de pessoas como você, que só ficam de blá blá blá esperando cair do céu ou seja é facil ficar na fente de uma tela e escrever, eu mesmo seria capaz de fazer isso e muito bem ! então meu amigo deixa esse blog indecente de lado e va lutar na real ok

ocampo disse...

O blog ta surtindo o efeito que eu queria. Carlos, obrigado. Agora vc é uma daquelas pessoas acomodadas, que assiste novela, um joguinho pela tv e BBB. Ou então e do PT; ou da Polícia Rod. Federal ou do DNIT. Continue lendo e enviando seus comentários.

Ilmar Esteves de Souza disse...

Nao nada anormal em dar ajuda aquela gente.
Tantos ja vinheram...Portugues, italianos, franceses, holandeses, acreanos...