quarta-feira, 29 de junho de 2011

AS MOTRAS FOLCLÓRICAS E O ARRAIAL "FLOR DO MARACUJÁ"

Para as pessoas que não conhecem a festa folclórica, aqui vai um esclarecimento resumido das duas atividades culturais: a Mostra e o Arraial.

Por força da divulgação, costumamos sempre chamar a festa folclórica de Arraial Flor do Maracujá, não está errado, mas existem dois eventos em um: a Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás, que está completando 30 anos e o Arraial Flor do Maracujá que está com 29 anos de existência.

Na Mostra são apresentados as quadrilhas juninas e os bois-bumbás que é a expressão folclórica mais antiga de Porto Velho, surgido nos idos de 1920 na então Vila de Santo Antônio do Madeira, local em que se constrói a hidrelétrica.

Mas a primeira mostra folclórica realizada pelo poder público foi em 1981, pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura – SEMEC, com a criação da 1ª Mostra de Quadrilha e Boi-Bumbá, realizada na quadra esportiva da Escola Barão do Solimões, nos dias 23, 24 e 25 de junho de 1981, com a participação de quatro bois: Malhadinho, Flor do Campo, Caprichoso e Tira-Cisma. Essa Mostra incentivou o reaparecimento do Boi Brilhamante e a criação do Boi Rei do Campo, em 1982, por Manoel Francisco Miranda, conhecido como Seu Chagas, com o curral no bairro Tucumanzal.

Com o sucesso da Mostra Municipal incentivou os membros da SECET, órgão de cultura do recém criado Estado de Rondônia, a criarem a Mostra folclórica estadual, que foi realizada nos dias 24, 25 e 27 de junho de 1982, na quadra esportiva da Escola Rio Branco. Naquela Mostra do Estado se apresentaram os seguintes grupos: Brilhamante, Malhadinho, Caprichoso, Rei do Campo e Boi mirim Tira-Cisma. A primeira Mostra estadual teve dois campeões: o boi Caprichoso e o boi Malhadinho. Mas essa historia de ter dois bois campeões é outra história.

O Arraial foi uma conseqüência dessas Mostras Folclóricas como forma de agregar os valores culturais regionais, pois sempre tivemos nas escolas, igrejas e entidades, os arraiais juninos, que se transformavam em acontecimentos sociais e disputas entre escolas para realizarem o melhor arraial do ano.

Era então, necessário a criação de um arraial, por isso a equipe responsável pelo departamento de cultura da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Turismo – SECET, criasse, em 1983, o Arraial “Flor do Maracujá”, montado ao lado do ginásio de esportes Cláudio Coutinho. A Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás passou a ser realizada durante o Arraial Flor do Maracujá, e dessa forma permanece até hoje, oportunizando aos grupos se apresentarem com incentivo governamental, contribuindo para que os grupos folclorica se fortaleça cada vez mais dentro de um palco importante: o curral do Flor do Maracujá.

Portanto, o Arraial Flor do Maracujá, que surgiu em 1983, agregou a Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás e é o maior preservador de nossas comidas típicas regional como o vatapá, o pato no tucupi, tacaca, galinha picante e as iguarias próprias das festas juninas como pamonha, mungunzá e canjica.

O tradicional Flor do Maracujá faz 29 anos de realização. Um feito extraordinário para um evento folclórico. Mas tem outro fato folclórico entre os fundadores desse Arraial como nenhum outro evento em Rondônia. Tem tantos fundadores, que chega a ter briga entre eles de quem e quem nessa história. E a cada ano aparece mais um fundador. Mas isso é folclore também.

Recomendo para aqueles que chegaram recentemente em Porto Velho e não conhece a nossa cultura, o Arraial tem como propósito divulgar a cultura folclórica rondoniense. Assim pode se apreciar danças de quadrilha junina e o folguedo boi-bumbá; degustar as comidas típicas regionais. Realmente é uma festa típica e que deve ser visitada por todos.

Jornal Alto Madeira, 25 de junho de 1982.


Jornal Alto Madeira, de 26 de junho de 1981.

3 comentários:

poeta josé valdir disse...

Parabéns, amigo,pela postagem!
Você viveu e conhece a história.
Grande abraço!

Sângela disse...

Desculpe mas nãO seria "AS Mostras" em vez de "motras".Acredito que erro de digitação...Um belo artigo que realmente traz um pouco da história que muitos não conhecem.Parabéns!

Antônio Ocampo Fernandes disse...

Obrigado Sângela pela observação. Mas te confesso que não amigo da gramática portuguesa. Escrevo de teimoso. kkkkk.